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No Futuro.

05/02/2010

Lá estarei eu, fazendo qualquer coisa que me deixe contente dentro do mundo do cinema. Tenho um apartamento legal na Asa Sul, decorado do meu jeito. Eu conheço artistas e sou convidada pros festivais. Apesar da minha cabeça ter mudado tanto entre esses anos, e logicamente ter conquistado novas amizades, as vezes ainda recebo um email distante do Micael, estilista estreante no mercado internacional, básico-chic. Ele me mandava email de São Paulo me convidando para um desfile em algum país da Europa. Eu respondo minha presença, e sento no meu sofá, recomendado pela arquiteta Juliana Bona, minha grande amiga do Ensino Fundamental. Aliás, ela me ajudou a decorar a casa inteira. No sofá, então, bebo meu chá, que fiz minutos antes, e olharia no porta retrato a foto da minha filhinha adotada, que já tinha ido dormir. Daí começo a pensar em um monte de coisas. Sinto saudades dos amores que perdi. E talvez eu tenha (pois não consigo nem prever) algum namorado(a) firme, que já tinha caído no sono também. -Será que o Tiago não tava afim de ir tomar uma cervejinha comigo?- pensaria. Telefono e a gente combina de ir num bar perto de casa (éramos vizinhos agora).

Chegando lá, comento que dia desses reencontrei a Francis na rua depois de tanto tempo, e que ela não tava muito diferente. (Ela estava grávida de 2 meses e ainda sorria do seu jeito tão meigo da época da adolescência. E estava tentando ir para Belo Horizonte participar de um projeto de jornal alternativo que tinha começado a dar o que falar em todo o país.) Ele diz “arrassssou, né” e eu rio “é, né” igualzinho a gente fazia há tantos anos atrás. Ele me diz que pretende ir morar de vez mesmo no Canadá, e que da próxima vez que eu fosse lá, poderia ficar na casa dele. Eu achava o máximo, apesar de que ia perder um vizinho-amigo. Eu também quase não tinha tempo. Tinha família e vivia me envolvendo em projetos que exigiam atenção total durante meses, e viagens ocasionais, a procura de cenários perfeitos.
Eu me preocupava com a arte. Eu recebia emails de pessoas que acreditavam no meu trabalho. Poucas cartas, mas muito sentimento. Eu tinha conquistado algum respeito e conseguia patrocínios com bem menos dificuldade que outrora. Apresentava meus filmes em alguns festivais pequenos de cinema, mundo afora. Minha coleção de dvd era lindíssima. Tinha um apego muito forte com muitos daqueles filmes. Até já tinha me encontrado com alguns dos seus diretores em eventos. Eu tinha vários projetos na cidade. Embelezar as áreas públicas, deixar a arte estampada na cidade, para as pessoas se sentirem pelo menos um pouco melhor. A auto-estima muda quando ficamos perto de coisas bonitas. Um projeto mais audacioso tornava forma na minha cabeça: Fundaria uma escola nova, que daria aos alunos uma liberdade maior de escolha de matérias. E um ensino direcionado pra ideia de cada aluno.
No dia seguinte seria aniversário da Johanna. E eu ia, levando um livro incrível de imagens de Romero Britto de presente. Encontrei lá pessoas que eu não via há anos. O Mi, por exemplo, nunca mais encontrava ele nos lugares, desde que voltara da viagem de Machu Picchu. Além de pessoas as quais talvez nem lembrasse o nome. Aquele menino descoladinho que eu beijei naquela festa. Aquela menina do cabelo colorido que eu queria imitar. Ah, não! Aquele chato exibido que acha que sabe de tudo. Mas todos eles fizeram parte, e ainda fazem, de mim. Não podia demorar muito porque eu ainda tinha que buscar a Júlia no aeroporto. Ela tava vindo de surpresa do Rio de Janeiro pra dar um abraço na Johanna. E nós combinamos um plano pra que todo mundo ficasse realmente surpresos. Quando volto, a festa está mais cheia e todo mundo vai receber a Júlia que eu trouxera (haha). Naquela hora, então, reconheço muito mais gente. O Dexter tava ali (qual era o nome verdadeiro dele mesmo? Não pode ser Dexter… É?), a Giulia, a Camila, o Pedro… Como amo reencontra-los, ainda que poucas vezes ao ano!
O Renato me liga e pergunta se minha casa perto de Oslo estava livre. Eu digo que sim, e ele pergunta se podia passar uma temporada lá, durante julho, no verão, quando a Noruega continua linda e menos fria. E, melhor, época que ele tiraria férias. A gente se encontra, então, pra que eu desse dicas da região e que desse também as ordens da casa. Mais tarde eu vou pra casa, e assisto um filme antigo da disney com minha filha.
Se meu futuro quiser ser coerente ao que eu espero, continuarei tendo contato com a Bruna, com o Tracey, com a Fernanda.
Diríamos coisas como “Caramba, mas isso foi há tanto tempo!”. Eu e o Micael ainda teríamos várias partidas de War pela frente. Eu sentiria a Bruna apertando a minha mão no cinema outra vez, simplesmente porque ficava nervosa e ansiosa durante as cenas. Queria a disposição incrível do Tiago pra mim, sempre. Iria tomar cafés com o Dedé. Viajaria outras vezes com o Rudá, até a beira do mar. Eu queria fugir dos ‘lugar-comum’ com a Júlia, com conversas que só fluem com ela. Eu queria sentir o olhar da Johanna, que eu nunca consegui (e talvez nunca conseguirei) decifrar e que me faz tão bem. Eu queria a amizade mais leal e as risadas da Fernanda. Eu queria manter aquele baque que eu sempre tenho com a Juliana, descobrindo o quanto ela é incrível. Teria ainda abraços apertados (e festas) com o Edu. E, com certeza, iria pro bar me divertir com o Tracey depois que ele saísse do consultório. Se for como esperamos, eu trabalharei no cinema, o Renato será designer (e talvez dê aulas) junto com o Tiago, o Rudá estaria feliz em sua paz inquieta (fazendo qualquer coisa que o dê motivação), o Tracey será doutor, a Júlia advogada, a Juliana arquiteta, e o Dedé também, a Johanna estaria fazendo algo incrível e criativo que talvez nunca pudesse ter um nome, o Micael teria uma grife, a Francis trabalharia em jornais, o Mi seria aquele cara que ninguém sabe explicar direito o que ele faz (porque faz de tudo), e etc.
Boa sorte pra todo mundo. E veremos, daqui há alguns anos, se sentiremos saudades dessas previsões, ou se estaremos melhores do que esses quase-personagens-de-comercial-de-margarina que eu invento sem preocupação ou atenção nessa madrugada.

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One Comment leave one →
  1. Tracey permalink
    05/02/2010 16:20

    Boa sorte pra gente.

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