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Pensamento de curto prazo.

12/08/2010

Existem algumas coisas que sentimos fazer efeito na gente, mas que simplesmente deixamos passar. Não por querer, claro que não. Mas porque não pensamos que aquilo possa estar nos influenciando tanto assim.

Estava lendo durante a madrugada uma revista que minha mãe costuma comprar, a Vida Simples, e deparei-me com um artigo de Luiz Alberto Marinho que diz “O maior inimigo dos nossos esforços em busca da felicidade é o pensamento de curto prazo”.
A frase despertou-me interesse e apesar de todo meu sono e necessidade de dormir bem para ir à aula cedo, minha curiosidade falou que eu deveria antes ler um pouco mais. Imaginei que o texto falaria da importância de planejamentos e afins. Fui lê-lo até com certo medo de uma auto-ajuda disfarçada com profundidade. Mas na verdade isso nem muito importou. Durante aquela insônia, uma auto-ajuda talvez fosse até bem-vinda.
Enganei-me. O texto era na verdade bem simples, contando com porcentagens e estudos sobre a satisfação das pessoas com a vida. O que surpreendeu-me foi uma ideia trazida que eu ao menos nunca tinha visto assim ilustrada num texto, e que sempre foi latente na minha vida.
Sabe aqueles momentos (todo mundo já passou por isso) que você tem uma reunião importante, e nem é coisa chata não… É uma reunião que você está interessado em ir! E você está na cama meia hora antes e acaba desistindo de ir porque, afinal, nem sabe se sua presença vá fazer muita diferença, e sua cama tão gostosa tá ali firme contigo. Fica na cama. Depois te ligam dizendo o que foi decidido, e passa um sentimento ruim por dentro, você sente que deveria ter estado lá, nem que fosse pra dar uma opinião, pra ir contra, a favor… Tanto faz, você de certa forma começa a avaliar se passar uma horinha a mais na cama realmente valeu a pena. Não valeu.
(Pode-se usar essa situação com aula, trabalho, ou até uma festa que você tenha se comprometido a comparecer. E a cama pode ser também a internet, a televisão, um bar, enfim)
Não valeu a pena por quê? Talvez por uma falta de colocar-se. Talvez, e provavelmente, a reunião tenha andado sim completamente tranquila sem sua presença. Talvez se você tivesse ido ficasse roendo unhas e bocejando por horas. Mas talvez não.
E é nesse “talvez não” que as coisas complicam. Quanto mais situações em que você se compromete por vontade própria você deixa de lado por uma sensação rápida de prazer, mais insatisfação você acumula (Obviamente, há variáveis; mas não vamos entrar nisso, ok?). Quero dizer, a partir do momento que estamos descompromissados com responsabilidades que nós mesmos escolhemos assumir, nos sentimos mais incapazes, por não estarmos dando conta do que planejávamos conseguir. Ou alguém discorda que fazer tudo o que se propõe num dia, ou pelo menos quase tudo, nos dá uma sensação deliciosa no fim da noite? Mesmo com o trânsito, o computador travado, as correrias e o sol sobre as costas. No final, vale a pena.
E é claro que devemos dormir bem e ter momentos tranquilos em casa. Devemos ter um momento para encontrar os amigos num bar, ou pra fazer uma longa ligação, nos distrair no twitter e etc. Mas esses momentos já devem ser considerados na hora de assumir qualquer coisa que seja (“Será que conseguirei fazer parte de mais um projeto sem me exaurir?”).
Enfim, acredito que meu texto tenha parecido o esboço de uma liçao de auto-ajuda bem mais do que o próprio texto que me inspirou. E o maior problema da auto-ajuda é a hipocrisia. Era para, por exemplo, eu estar neste momento saindo da minha aula de circo (Oh, mas o clima está tão seco, estou tão cansada, acho que não “deveria” fazer atividade física. Desculpa!) em direção à auto-escola. Não estou. E ainda estou com medo de me atrasar. Aliás, estou com uma dor no olho direito desde ontem e admito que me veio na cabeça passar agora no médico e ver se consigo um atestado e voltar para casa para tentar recuperar minhas horas de sono perdidas dessa madrugada.

Mas mesmo eu tendo essas certas fraquezas, continuo me esforçando pra fazer tudo que eu conseguir. Acabei de chegar da aula (Sim, fui e voltei e agora que estou completando o texto) e só o fato de não ter que correr o risco de me arrepender depois ou de ter de correr atrás de uma aula de reposição e gastar novamente as energias que eu desejava recuperar, me faz sentir melhor.
Enfim, é só uma coisa para se pensar.

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